1 Contexto e pergunta decisória
1.1 Por que esta análise existe
As cheias de maio de 2024 expuseram a necessidade de quantificar, para a bacia do Taquari–Antas, quais combinações de medidas estruturais e não estruturais poderiam reduzir níveis, tempos de permanência e danos em Estrela e nos municípios a jusante.
A pergunta não é simplesmente “qual a melhor barragem?”. A pergunta operacional é:
Qual combinação de reservatórios, volumes de espera, regras de operação e medidas complementares produz redução mensurável de danos, sem transferir risco para montante, sem comprometer a cascata hidrelétrica existente e com custo justificável?
1.2 Evento de referência
O evento de maio de 2024 é usado como referência de exposição e como teste inicial de ordem de grandeza. A análise deve manter separadas três camadas:
- Hidrologia: chuva, vazões afluentes, sincronização de picos e incertezas;
- Hidráulica: níveis e velocidades ao longo do rio, remanso, pontes e áreas inundadas;
- Risco: pessoas, edificações, infraestrutura, perdas econômicas e danos evitados.
Misturar as três camadas em um único número esconde as hipóteses mais importantes.
1.3 Escala da bacia
O recorte de referência trabalha com aproximadamente 19.440 km² no início do trecho modelado em Estrela e 23.618 km² para a bacia Taquari–Antas completa. Os primeiros eixos BAR-A, BAR-A2 e BAR-B eram aninhados; por isso, os volumes não poderiam ser somados sem contabilizar a sobreposição de áreas.
1.4 Perguntas que o estudo deve responder
- Qual é a redução de pico e de cota no ponto de controle em Estrela?
- Qual é o tempo disponível para alerta e evacuação em cada cenário?
- Quanto dano é efetivamente evitado, por município e por faixa de cota?
- Quais eixos afetam as cotas operacionais ou a produção das UHEs existentes?
- Cascatas com comportas melhoram o resultado sem criar saturação e galgamento em série?
- A solução é robusta para eventos maiores, defasagens de onda e falhas de operação?
Uma alternativa só poderá ser chamada de “selecionada” depois de passar por: (i) balanço hidrológico; (ii) HEC-RAS 1D calibrado ou validado; (iii) curva cota–dano documentada; (iv) análise de segurança e operação; e (v) comparação econômica transparente.