8 Conclusões e próximos passos
8.1 Conclusões que resistem à triagem
- Aumentar a altura das UHEs existentes não parece suficiente, isoladamente, para gerar o volume de espera necessário; permanece como sensibilidade de custo e engenharia.
- Eixos novos sem afogamento direto das usinas existentes são a linha de investigação mais promissora neste momento.
- A restrição da cascata Monte Claro–Castro Alves–14 de Julho domina o desenho das alturas admissíveis.
- Cascatas com comportas podem aumentar a flexibilidade, mas exigem modelo de operação, massa, tempo de trânsito e segurança em série.
- A rodada calibrada C1–C4 indica ALT-E (E02 + E04 + E12) e ALT-J como os cenários de maior redução de pico na triagem, mas nenhum alcançou 4.000 m³/s e nenhum deve ser tratado como escolha definitiva antes do HEC-RAS 1D.
- A curva cota–dano é o elo que transforma redução de vazão em benefício social e deve ser construída em conjunto com a calibração hidráulica.
- O Forqueta não deve ser descartado: como conflui antes de Estrela, permanece como alternativa lateral condicionada para Lajeado, Estrela e Bom Retiro do Sul. Com a série observada do posto 86745000, FQ1 acrescentou 0,7 ponto percentual e FQ2 1,1 ponto percentual à redução de ALT-J em Estrela; além disso, os dois eixos são mutuamente exclusivos por cota. FQ1 permanece condicionado à confirmação da defasagem no evento de novembro de 2023.
- A matriz combinada com ALT-A–ALT-J confirmou que o melhor cenário preliminar é ALT-J + FQ2, sob regra de barragem seca: aproximadamente 6.802 m³/s em Estrela, ainda 2.802 m³/s acima do limiar provisório de 4.000 m³/s. Portanto, incluir o Forqueta melhora o resultado, mas não produz, nesta parametrização, uma condição próxima da não ocorrência de cheia.
- A busca exaustiva das adições à ALT-J confirmou que incluir E03, E06, E07, E09 ou E11 não reduz o pico terminal na parametrização atual; o envelope teórico com E10 também permanece em 7.005 m³/s. Isso decorre da topologia aninhada e da presença do E12 como eixo terminal, não de uma prova de que esses eixos sejam hidraulicamente irrelevantes.
- A próxima hipótese de barragem que pode acrescentar controle independente é o GU1 no rio Guaporé. Antes de combiná-lo com ALT-J, será necessário desagregar sua sub-bacia do hidrograma do Antas e fazer o roteamento próprio; a soma direta dos hidrogramas incorreria em dupla contagem. Essa decomposição foi executada: no máximo histórico do Santa Lúcia, ALT-J + GU1 a 100 m levou o pico a aproximadamente 4.532 m³/s; no evento de novembro de 2023, o resultado foi 4.763 m³/s a 120 m, ambos ainda acima do limiar preliminar. O GU1 passa a ser a alternativa prioritária para aprofundamento, mas não resolve sozinho a não inundação na triagem atual.
- O Guaporé surgiu como prioridade exploratória superior ao Forqueta: tem contribuição de ordem semelhante, está a montante do ponto de análise e não é controlado pela carteira atual.
8.2 Ordem de execução
- fechar a auditoria de datum e CAVs das UHEs existentes;
- obter ANA/ONS, níveis, vazões e informações operacionais;
- substituir a batimetria sintética por topobatimetria no trecho detalhado;
- completar geometria e vãos das pontes;
- calibrar o HEC-RAS 1D no evento de 2024;
- construir a exposição e a curva cota–dano preliminar;
- incorporar as séries observadas, desagregar o hidrograma do Guaporé e investigar o GU1 como novo eixo exploratório;
- confirmar a defasagem do Forqueta com dados subdiários de Barra do Fão e manter FQ1/FQ2 apenas como sensibilidades;
- executar a matriz HEC-00–HEC-03: sem obra, E02 + E04, E02 + E04 + E08 e E02 + E04 + E12; depois, testar HEC-04 (ALT-J + GU1) como extensão estrutural prioritária, HEC-05 (ALT-J + FQ2) como sensibilidade lateral e HEC-06 (C04/C05/FQ1) apenas como rede crítica;
- estimar custos, energia, segurança, impactos e benefícios;
- selecionar, ou rejeitar, alternativas com critérios documentados.
8.3 Entrega esperada do estudo contratado
O Termo de Referência deve exigir arquivos editáveis, geometrias, séries, parâmetros, regras de operação, relatórios de calibração, mapas, metadados e scripts ou rotinas de reprodução. A decisão precisa ser auditável por município, ponto de controle, cota e evento.
Mensagem final
O achado mais útil desta etapa não é uma obra escolhida; é a redução da incerteza sobre onde investir o esforço. A próxima rodada deve validar o arranjo distribuído e as cascatas com comportas no HEC-RAS 1D, enquanto deixa o alteamento documentado como alternativa de sensibilidade.